sábado, 12 de março de 2011

Vitrines

Templos de consumo
Assustam-me
Quero fugir
Mas não posso
Quantas luzes, imagens e cores
Confundem a cabeça,
Me perturbando.

Observo os idiotas
Babando diante das vitrines
Que vendem somente ilusão.
Ignorantes que sonham
Em ser como os modelos,
Sonham em ser plásticos e irreais.
Posso inalar
A podridão fétida
Disfarçada em brilhos, perfumes e slogans.

O acúmulo desnecessário
Cega
Os ratos humanos
Que insistem na infinita servidão
Mal sabem sua condição.
Tolos!
Que se entregam,
E vendem
Esquecendo de si mesmos.
Sociedade patética e vulgar,
Minha vontade é de em ti escarrar
Todo meu ódio.

Vivendo em minha realidade,
Busco meu mundo fantasioso
E me escondo
Imunizando-me do caos externo mundano.

Casualties

Mais um zero é adicionado
Ao número de cadáveres
Que fertilizam
Os solos áridos
De uma longínqua terra inóspita.

Vítimas da sede dos que gozam “vitória”
A gargalhadas, bubbles e charutos.
A esses últimos
Meu mais profundo desprezo.

Mas que é um zero
Se não mais que um algarismo nulo?
Assim contabilizam
Os milhares de esqueletos humanos
Esquecidos pelo mundo
Que gritam
Clamam, aos prantos
Por ajuda
Mas sendo cegos, mudos e surdos
Não os vemos, escutamos ou quiçá percebemos.

Guerreiros de uma luta infinita,
De uma guerra injusta e sem causa
Cuja melodia de vida não é mais que um estrondoso arsenal bélico
Fabricado pelas grandes indústrias
Que se alimentam
Do vermelho gritante de sangue humano.

Abastecendo seus cofres,
Inflando seus egos
E dando-lhes poder.
Desgraçado poder
Que destrói raças,
Culturas e vidas.
Mas que mantém o padrão
De luxo e excessos em seu mais alto nível.

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CASUALTIES

Another zero is added
To the number of corpses
That fertilize
The arid soil
From a remote inhospitable land.

Victims of the headquarters of those who enjoy "victory"
Among laughter, bubbles and cigars.
For them
My deepest contempt.

But what is a zero
If no more than a empty digit?
Thousands of human skeletons
Forgotten by the world
Screaming,
Crying out in tears
For help.
But being blind, deaf and dumb
We do not see them, hear or perhaps realize.

Warriors of endless struggle,
Of an unjust war and without cause
Whose melody of life is nothing but a huge military arsenal
Made by major industries
That feed themselves
With human blood.

Fueling their coffers,
Inflating their egos
And giving them power.
Stupid power!
That destroys races
Cultures and lives.
But keeps the standard
Of luxury and excesses in its highest level.


Dark moments

Ao repousar meu corpo, cerro meus olhos, sonho com dias felizes e me sinto bem. Os abro e mergulho no azul dos seus. Molduro sua face com a ponta de meus dedos, admirando cada poro de sua pele. Cubro você de beijos e o mundo externo parece não existir. Estamos imersos em nosso universo, curtindo nossas brigas, rindo de nossas tolices e nos amando. Para você abro um sorriso e me perco em sua beleza. Tão fugaz, tão especial, cada segundo vivido como se fosse o último de nossas vidas.
O azul cristalino do mar como testemunha de nossa união, o spa relaxante e o jantar a dois.Não quero o perder, mas para longe assim você se foi. E eu, mais uma vez fiquei. Amarga e só. Sinto o catapulto abrindo sobre meus pés afundando-me no poço em que muitas vezes já me encontrei presa. A não certeza de suas reais intenções me faz sofrer calada. O que será de nós? A confiança em você ainda é falha e o nosso futuro incerto já é um fato consumado. As próximas semanas serão escritas em preto-e-branco, pois assim me sinto quando me vejo longe de você. Mas aguardarei seu retorno para que eu possa novamente sentir o colorido da vida. Sinto-me uma tola de me entregar tão desesperadamente para você, mas não posso controlar minha natureza sensível e passional. Queria poder entrar em seu pensamento para as indagações aniquilar e meu coração acalmar.

Palavra

Me apaixonei por ti
Caí de quatro
Em teu abraço,
E não te largo nunca mais.
Em ti encontrei a luz
No breu de meus sentimentos.

Prometo-te a eternidade
De todo meu amor e fidelidade.
Palavras
Que traduzem cada segundo de minha vida.
Um dia são tristes,
Outros alegres
E indagadoras.

Distante dos holofotes da massa
Te busco
E me encontro.

Nos versos
Descubro minha fantasia gliterizada,
Pura.
Inata.
Permito-me sonhar, amar e viver.
Queria poder
Gritar meus pulmões para fora
Para expressar meu amor por ti.

Te mantenho, porém,
Dentro de mim
Como uma luz,
Um guia,
Um afago,
Um amor,
A palavra.

Thinking about you


Hoje já derramei minha cota
De lágrimas por ti.
As paredes ainda exalam seu cheiro
Posso sentir seu hálito
Em meu pescoço,
E o calor de seu corpo junto ao meu.

Seu olhar misterioso
Que nunca hei de desvendar
Carrega sobre o manto azul de sua retina
Uma alma triste,
Seu segredo.

Quero seu amor
Mas não o tenho
Ou jamais o terei.
Num futuro distante, porém,
Sonho em um dia
Gozar felicidade plena
Ao lado de um alguém
Que me complete
Que me encha de carinhos
E me respeite.

Seu amor próprio,
Lacrado em suas entranhas,
O cega
E o afasta de mim.
A superficialidade de seus desejos
E atitudes bizarras
São facilmente esquecidas
Diante de tamanha beleza
E masculinidade.

Quero
E não o quero.
Com você,
Experimento o bom e o mal,
O agradável e o desagradável,
A paixão e o ciúme,
O encanto e a raiva.

Um paradoxo,
Que me confunde as ideias
Envolvendo-me louca.

Assim é marcada nossa união,
Num inconstante ciclo
De dores e amores
Que enxugam lágrimas
E abrem feridas.

Conflituosa,
Prazerosa,
Carnal e potente,
A gente se entende

Irã

Berço da cultura Islâmica,
Brota um país
Cuja complexa história
Carrega diversas interpretações

Uma sociedade marcada
Pela pré e pós revolução
Shah,
Rei dos reis
Rico e belo,
Cujo a seu próprio povo roubou
E o óleo,
Aos estrangeiros entregou.
Os exorbitantes gastos militares
Deixou sua nação à míngua.
Vivendo sobre a artificialidade
De influências externas,
Civis viram-se esquecidos
De sua própria essência,
Saturados de valores ocidentais.

O uso do xador
Sinônimo de rebeldia.  
E a religião,
Um ato de anarquia.

Mas a censura chegou
Para calar os opositores
E matar seus ideais.


1979,
A destruição do rei seboso
Veio com a Revolução Islâmica,
Que trouxe como promessa, a mudança
Essa tão drástica,
Que a religião tornou-se governo.
E cartazes do cara barbudo de turbante
Mais conhecido como Aiatolá Khomeini,
Foram espalhados por todo lado.

Os discursos em nome de Deus
Movem massas
Em suas preces diárias

Morte à América!
Morte a Israel!
Gritam,
Esbravejam
Os fiéis
Ao rufo dos tambores!
E assim resistem
Ao imperialismo
Ditado pelas superpotências.

A veste negra,
Agora obrigação,
Foi a melhor invenção
De cozimento humano já inventado.
Numa terra
Onde termômetros frequentemente marcam 40 graus;
Nada como uma sauna particular,
Protegida de olhares alheios.

E ai das infelizes mulheres
Que são estupradas!
Essas, vergonha trazem para família
Mas as puras virgens
Para o céu vão!

A Guerra com o vizinho
Que contou com o mais que presente suporte
Do Uncle Sam
Marcou a década de 80
De sangue,
Aviões assassinos
E armas químicas.
A destruição de um país em que
A economia assim consagrou seu declínio.
E a moeda,
Essa se tornou folha morta, seca
Em solo fértil.

No âmago do Golfo Pérsico,
Há um povo
Que exala cheiro do deserto
E do mar Cáspio.

Um povo que
Abre as portas de sua casa
E de seu coração.


Um povo que
Carrega histórias
Que nenhum livro, jornal ou documentário
Poderá traduzir.
Sua fé e coragem
De trilhar um caminho pedregoso
Onde as mais valiosas lições
São sempre as mais difíceis
O torna mais forte, único e especial.

Espanha/ Spain

Espanha,
Tua forma me fascina.
Península do vermelho gritante,
Das touradas e tomatinas.

És terra fértil,
Cravada de cerejeiras
Que perfumam o ar Ibérico
E fabricam o doce cherry.

Jesulin de Ubrique,
Ou pequeno Jesus,
Lenda do ringue sanguinário,
Prepara-se para mais uma luta.
Os adornos e vestimentas
Caracterizam o ritual
Para dar vida ao espetáculo.
“El matador”,
Coberto de inúmeros pequeninos espelhos
E cores vibrantes
Enfrenta o animal sagrado
Símbolo de uma cultura,
Um duelo dramático
Entre o ser racional e irracional.
Uma epopéia
Que cala a massa
Paralisando sua retina.
Uma arte que faz parte
Da alma espanhola.
E para nosotros,
Um ato de atrocidade.

Espanha,
Das eternas películas
De Almodóvar e Penélope.
Do flamenco
E de seu belo povo
Com suas faces exóticas
De formas geométricas
E olhos escuros.

As tavernas,
Bares e restaurantes
Traduzem a simplicidade e magnitude
Da paella e dos mais finos vinhos e olivas.

Os gitanos.
À esses, cuidado devemos ter.
Molestam-te a cada passo.
E em qualquer lugar estão.

Querida Espanha,
Sonho em um dia conhecer-te,
Penetrar sua raiz
E decifrar teus mínimos detalhes,
Língua e música.

Sevilla,
Barcelona,
Madrid,
Toledo,
Ubrique
Y Jerez de La Frontera.

Muito de tua história
Pelos árabes foi escrita,
E o ouro latino Americano
Abasteceu teu cofre
Manchando tuas mãos de sangue indígena.

La Plaza Mayor,
Palco principal
Para o espetáculo das Inquisições,
Levou embora milhares de vida
Que a Santa Igreja Católica um dia há de contar.

A Guerra Civil dolorosa,
Impressa numa prima bela obra de Picasso,
Marcou-te a história.

Desde a ditadura de Franco
De censura afiada e cruel,
Até os dias de hoje,
És para mim
Labareda em chamas,
Eres el fuego,
La passion,
El rojo y amarillo
Eres un raio de sol
Qué brota a mi corazón.

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SPAIN

Spain
Your form fascinates me.
Peninsula of the glaring red
Of bullfighting and tomatines.

You are fertile,
Studded with "cerezas"
That perfumes the Iberian air.
And produces the sweet cherry.

Jesulin de Ubrique,
Or little jesus,
The bloody legend of the ring,
Prepares for another fight.
The ornaments and clothing
Characterize the ritual
Giving life to the show.
"El Matador"
Covered with numerous tiny mirrors
And vibrant colors,
Faces the sacred animal:
Symbol of a culture,
A dramatic showdown
Between rational and irrational.
An epic
That shut the mass
Paralyzing your retina.
An art that is part
Of the Spanish soul.
And for us,
An act of atrocity.

Spain
From the movies
Of Almodovar and Penélope.
From Flamenco
And its beautiful people
With their exotic faces
Of geometric shapes
And dark eyes.

Taverns,
Bars and restaurants
Reflect the simplicity and magnitude
Of the "paella" and of the finest wines and olives.

The gypsies,
As such, care we should have.
Molest you at every step.
And in every corner can be found.

Dear Spain,
I dream of one day meeting you,
Penetrate your root
And decipher your minimum details,
Language and music.

Sevilla
Barcelona
Madrid,
Toledo,
Ubrique
Y Jerez de La Frontera.

Much of your story
Was written by Arabs,
And the Latin American gold
Fueled its coffer
Staining your hand of native indian blood.

La Plaza Mayor,
The main stage
For the spectacle of the Inquisitions,
Killed thousands of lives
That the Holy Catholic Church one day will count.

The painful Civil War
Printed on a beautiful work of Picasso,
Has marked its story.

Since Franco's dictatorship
Of sharped and cruel censorship,
Until today,
You are to me
Flame burning,
Fire,
Passion,
The red and yellow,
A sunshine
That springs deep in my heart.