terça-feira, 15 de março de 2011

Nós dois


Amor
Espero por ti
Sei que estas aí
E eu, aqui
Sinto-te
No mais fundo de minha’lma.
Me abasteço do seu corpo
E respiro tua alma.

Não te conheço
És um mistério
A ser desvendado
A ser caçado
E assim encontrado
Para teu eterno deleite.

Cansei

Cansei
Das incessantes falas
Das falsas caras
Dos desejos inúteis,
Da idiota lamúria.

Cansei
Da doce presença
Do amor meloso
Nos versos saudosos
Dos poetas mortos.

Cansei
Do discurso mentiroso
Dos vermes abastados
Na miséria gritante
Da ignorância primata

Cansei
De tudo
E de todos

Cansei
De você
E de mim.

Cansei
Da vida
E de nela viver.

Não posso, não vou


Fumaça da minha solidão
Noite adentro
Longe dos que amo
Longe de você
Sinto frio
Quero ir-me
Mas não posso
Não vou
Porque vivo num mundo
Em que querer não é poder
E a distância do poder
Me faz querer
Em minha sofreguidão viver.

Assim só busco você

Sinto que é você que eu quero para mim.
Sinto que ainda não o encontrei.
Procuro
E não o acho.

Quero sentir a música
Dos seus sussurros em meu tímpano
Tocando meu coração
E alimentando meu espírito.

O mistério
E a distância
Que nos cerca
Nos mantém unidos
De alguma maneira.

Em algum lugar,
Longe daqui
Você está em mim,
Me completa,
Me faz viver.

Ao cerrar meus olhos
Num infinito você
Sonho em ao seu lado estar
Para curar as tristezas
E secar minhas lágrimas
Que afundam
Num oceano longínquo e tênue.

A solidão de um ser só
É um afago
Para meus sentimentos
E a desilusão
Que mal conheço
Mas posso senti-la
Penetrando no mais fundo
De minha’lma
Sugando cada poro de minha dor.

Tolos que se entregam ao amor


Romantismo
É para os fracos e sonhadores
Que não suportam a dor da realidade
E preferem na ilusão viver.

Acreditando no amor
De dois seres apaixonados,
Perdem-se em luta vã,
Sofrem e dizem
Que sem a dor não há amor
E que sem amor
Não há sentido na vida.

Sadomasoquistas,
Que prevêem o que lhes aguardam
Após o deleite do amado
Mas que ainda assim insistem em sua procura.

Por que então não amar?
Para que assim não haja sofrimento?
Para que se possa evitar
Desilusões amargas
E a paz em si buscar?

Maldito Roedor

Ruídos noturnos
Que não me deixam repousar.

Em meu leito de Morféu,
Reviro-me constantemente
Para o óbvio ignorar.

Sinto que estou acompanhada
Por um ser asqueroso,
Aterrorizante,
Peludo
E petulante.

Fuçando em fúria meus pertences
Na procura do jantar,
Este pequenino demônio
Enfurece-me e me mantém acesa,
Aniquilando minhas esperanças
De uma noite tranquila ter.

Quero matar-te
E a tua família também.
Mas sua magnífica habilidade
O mantém vivo
Para azucrinar minha tranquilidade.

Noite acesa

Minha carcaça derrete-se sob os lençóis da cama.
O cansaço físico desativa minha mente
Só escuto o silêncio da madrugada
Onde os bêbados deleitam em sua desgraça,
Casais emitem vibrações orgásticas,
Garotas se perdem,
Solitários choram
E trabalhadores dormem.

O tempo é uma ilusão,
Em que momentos,
Pessoas e sentimentos
Vêm e vão.
Sua velocidade me atemoriza.
Nesse segundo estou escrevendo tais palavras
E não tardará muito que me recorde dessas noites fatigantes
Numa noite acesa qualquer em minha casa.