sexta-feira, 27 de abril de 2012

Meu querido



Difícil se torna concentrar
Quando a mente só me direciona a ti
Quero cobrir-me de teu manto abençoado
E dormir ao teu lado
Sonhar contigo
E no abrigo do teu braço
Enlaçar meu corpo ao teu.

Tua imagem,
Está gravada em minha retina.
Sofro tua falta
E sonho em tê-lo perto de mim.
A paixão não correspondida
Sobre o peito adormecida,
Banhada em lágrimas,
Tento da dor escapar.
Tua ausência,
Aos poucos me dilacera a alma.

Por que insistir em ti?
Que já desistiras de mim?
Sofro assim,
Calada e tão longe de ti.

Tenho vontade de ir-me
E não ver-te nunca mais
Não quero humilhar-me
Mais uma vez
Implorando por teu amor.
Se um dia me quiserdes
Sabes que estarei sempre aqui,
Mas não, não posso mais
Viver assim
E esquecer de mim.

Não irei cegar-me
No medo de ver-te novamente
Quero me despir da vergonha de te amar tanto
E me libertar de ti.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

FALSO MUNDO


Estranho é abster-me da paixão e nesse momento de solidão suportável, ser incapaz de amar o sexo oposto. O desejo incontrolável pela carne viril há de passar. As gotas anestésicas percorrem o opaco fluxo sanguíneo que pulsa letargicamente pela minha veia. No túnel solitário da vida, lágrimas regam meu rosto voluntariamente. Às vezes o outro lado, aparentemente invisível, me soa mais confortável e feliz. Quando irei atravessar a rota que me levará a esse lado que por tantos anos estive? O que fui, o que sou, moldam meu presente, cheio de indagações. Por que tanta pressa? Por que tanta ansiedade?

O processo de remoção da escuridão nas almas já teve seu início. Apesar da matéria ainda pesada esmagar meu crânio, ao fechar meus olhos posso sentir o leve ar da pureza espiritual massagear cada membro deste corpo que me fora emprestado. A passos lentos caminho em busca da verdadeira liberdade, que ferozmente cobiço a cada segundo perdido nas ilusões terrenas.

Quero sentir seu lábio remover a amargura dos meus. Não quero viver nesse mundo que para mim, de tão material, parece irreal. Não quero ser mais um personagem nesse cenário que tanto desprezo.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

SHIVA


Diante do verdadeiro sofrimento, nós, meros ocidentais mimados, nos calamos e recolhemos na pequenez de nossa bolha blindada e supérflua. Qual a relação entre começo e fim? Despindo-me das amarras tolas mundanas, vou lançar às águas do Ganges, as cinzas da matéria excedente e entregar minha alma à purificação.

A tolice de insistir em nos apegar às ilusões transitórias, no fim, nos levará a um colapso brutal em que nossos restos irão testemunhar o tardio despertar do egoísmo preso nas entranhas de nossa alma. Nada e nem ninguém é posse eterna de outro alguém. Somos agora seres cujas sensações físicas ainda lideram atos insanos, mas um dia iremos de fato viver, e não apenas existir.

Cansei do velho discurso da melancolia

Cansada
De tentar mais uma vez em vão.
Cansada
De tentar por um alguém ou por um nada.

Quero me libertar.
A tinta se esgotou.
Sinto que morri pra vida nesse momento
A lágrima secou.
Angustio os dias que passam lentamente
Na necessidade infame de ser amada
E de minh´alma dilacerada.
Me enfadei de poetar versos de amores perdidos,
Em pedaços, reconstruo o pouco que resta de mim
E da saudade dos dias não vividos,
Respiro o incólume,
Sinto-me presa nas ramificações de meu incessante desespero
De não tê-lo perto de mim.

A fúria calorosa de meu ventre
Há de um dia inundar-se em ti.
Meu amor,
Dias opacos angustiam à tua espera
Não há necessidade de correr tanto; o que tiver de ser seu às mãos lhe há de ir
Um largo sorriso se planta em meu rosto
Ao me deparar com tamanha beleza
Quero um dia poder desfrutar de sentar-me à sombra daquele que tanto desejei
E não me satisfazer apenas com sonhos ilusórios de um dia ser tua.

Estás predestinado a mim e eu a ti,
Mesmo que tu nem saibas ainda que existo
O poder da minha vontade
Te atrairá para mim.

Vou enterrar minha vida com a tua.
Aqui, ou em qualquer outro lugar,
Sempre te amarei.




sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O padrão diz que é errado, mas a plenitude diz o contrário. O medo de vivenciar momentos mágicos trava o ser humano que vive imerso na pseudo liberdade. Eu prefiro arriscar e viver, a não viver por completo. Se queres vencer o mundo, vence a ti mesmo. Há momentos na vida que de repente o tempo pára e acontece a eternidade.

Teu julgamento não me afetará. A minha blindagem contra distúrbios externos manterá a realidade massante bem longe de mim. As sórdidas atitudes humanas provêm da ociosidade ilustrada e caprichosa do homem infeliz.

O homem ainda com a sordidez de valores vis entranhados em si, esquece que é feliz e tem medo da dor. Hoje, o homem ainda não é aquele homem, que um dia há de ser. A evolução, a plenitude do ser, a desmaterialização dos distúrbios carnais ainda atingirão seu grau de evolução. Antes ser um nobre pobre do que um pobre nobre. A humanidade necessita abster-se do materialismo cego e sentir a suculência do fruto do amor, tornando-o indispensável como o ar. O incessante equívoco na busca desenfreada por respostas vãs, ainda é tormento para a pequena alma humana.

Assim como a obra, que na alma de um poeta brota, devemos sentir a essência da felicidade na simplicidade das coisas e nela saciar a fome de vida e amor.

A MALTRAPILHA


Numa triste manhã de primavera, em que as árvores rangiam ao compasso descontente do vento, uma maltrapilha vive a epifania de seus pensamentos. Observando o naufrágio do dia através das águas barrentas dos momentos desperdiçados, lá vai ela falando para si mesma que “nada existe fora de nós, exceto um estado de espírito, um desejo de consolo e alívio”.
Ela se pergunta como os seres humanos ainda aceitam viver nessa mentira universal carregada de ilusões. Os cegos por conveniência optam por não ver como a vida pode ser simples. O mundo está cheio de homens covardes. Ela prefere viver como uma livre pensadora.

Por que somente ter e nunca dar? A vida deve ser vivida para trabalhar, amar e servir. Somos nossos próprios prisioneiros, perdidos no labirinto do jardim desconhecido, cheio de curvas e voltas.

Seus pulmões podem inalar o odor de miséria existente no mundo e sua alma sufoca na corrida emocional das eternas insatisfações carnais que turvam a clareza da fé. Na sarjeta de violentos sentimentos, ela passará pelo caminho da vida sem arrependimentos. Sua coragem clama por uma explicação não materialista da vida. Essa fome insaciável de poder que governa o mundo é a principal causa da injustiça humana.

Sua devoção servil pela vida real sabe que o que as pessoas dizem, a maneira padrão de vida, os modelos que devem ser seguidos, dinheiro, poder e beleza plástica são apenas tolas efemeridades que a humanidade insiste em se apegar. Para ela, “viver” no seu significado real é muito mais do que toda essa porcaria que nos é vendida a cada dia. Para este ser de aparência maltrapilha, a partilha, o amor, o trabalho para o bem comum e o respeito pela natureza são a pura essência da vida.

“Nada dura muito tempo”, diz ela andando pela rua e agradecendo por ser o que ela é. O  sol nasceu e mais dúvidas e perguntas tentando descobrir por que o mundo está em caos tão profundo não a incomodam. Ela apenas fará sua parte e viverá em seu mundo paralelo pacificamente, evitando ataques externos.